Palavra Pastoral

“Pois assim diz o Senhor à casa de Israel: Buscai-me, e vivei”
(Amós 5:4).

Precisando De Tudo

Paulo Roberto Barbosa

crianca-orando

Um pastor, puxando conversa com um pequeno menino, perguntou se ele costumava orar todas as noites. “Não, senhor,” respondeu a criança, “nem todas.” “E por que não?” continuou o pastor. “Porque há noites em que eu não preciso de nada.”

É possível que nós, cristãos adultos, costumemos agir à semelhança do menino de nossa ilustração. Buscamos a Deus, chegamos mesmo a chorar em Sua presença, clamamos com intensidade e insistência, mas apenas nos dias ou momentos de grande necessidade. Deus tem sido, para nós, um socorro nas horas de angústia e aflição, e Ele o é mesmo, para todos. Mas, não é somente isso.

Deus deseja estar ao nosso lado em qualquer situação. Quer consolar-nos nas horas difíceis e alegrar-se com a nossa alegria. Quer conduzir-nos pela estrada das conquistas e assistir, com grande regozijo, todas as nossas vitórias.

Quando buscamos a Deus em todos os momentos, não apenas asseguramo-nos de que cada passo dado terá a aprovação e companhia do Senhor, como valorizamos aquilo que somos e fazemos, porque o brilho do Pai será constante em todos os dias de nossas vidas.

Um coração cheio da graça do Senhor conduz-nos, com segurança, à realização de todos os sonhos e nos faz, independente disso, viver a felicidade que tanto almejamos.

Quando abdicamos da presença do Senhor por não estarmos diante de necessidades ou grandes lutas, perdemos a oportunidade de ser abençoados nos dias comuns, onde julgamos que tudo vai bem e não percebemos que ao lado do Senhor tudo seria bem melhor. Deixamos de alcançar grandes realizações porque nos conformamos com a vida insípida e vazia que a ausência das provações nos impõe. Pela falta de fracassos, deixamos de comemorar grandes conquistas.

Deus quer fazer de você uma bênção e não apenas livrar sua vida de problemas.

Segundo seu próprio testemunho, Paulo Roberto Barbosa é crente no Senhor Jesus desde de o ano de 1974. Perdeu sua esposa em 1993, depois de 15 anos de casado. Ordenado pastor pelo Reverendo Márcio Valadão, da igreja da Lagoinha, contribuiu na abertura de igrejas nos estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro. Por um descolamento de retina ficou cego em 1990, encontrando a partir daí todas as dificuldades possíveis para continuar seu trabalho de evangelista. Persistente e confiando em Deus lutou até encontrar um meio que continuar sendo útil ao ministério do Senhor Jesus.

Hoje, graças ao seu esforço e a misericórdia do Senhor Jesus, o pastor Paulo nos abençoa com preciosidade como a descrita acima.

Com carinho.

Rev. Pedro Neves

Palavra Pastoral

“Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus. Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, visto que todos pecaram”.
(Rm 3.23-24; Rm 5.12)

PECADO: INSUBMISSÃO

Pecado 1

Continuando através de nosso boletim a reflexão sobre algumas doutrinas que consideramos fundamentais para o nosso viver cristão hoje comentaremos sobre o Pecado.

O que é pecado?

Pecado é insubmissão a Deus.

Em um primeiro momento é a nossa rejeição ao amor de Deus que traz consequências funestas para a humanidade. Num segundo momento andar em pecado é ultrajar o governo soberano de Deus. Viver em pecado é caminhar independente da vontade de Deus ignorando seus ensinos e mandamentos expressos nas Sagradas Escrituras, Sua revelação especial para nós.

Quando surgiu o pecado?

Deus fez o homem puro, santo e reto. Portanto, o  pecado é um elemento estranho à natureza original do ser humano. Adão não foi criado por Deus, pecador, mas se tornou pecador pelo exercício de seu livre arbítrio, ao se rebelar contra o mandato do Senhor. O pecado como diz a Palavra de Deus entrou no homem, ou seja, não veio com o homem desde que foi criado.

Ainda que muitos indivíduos não creiam na Bíblia Sagrada; ainda que muitas pessoas desprezem o relato da queda do homem mencionado nas Escrituras; ainda que para alguns Adão e Eva façam parte apenas da mitologia hebraica nós temos motivos de sobra para crer que o pecado se originou na desobediência de nossos primeiros pais.

Ao pecar Adão introduziu a morte na raça humana, pois pecado e morte estão entrelaçados como diz o texto bíblico: “todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus.” (Rm 3.23) O pecado, a queda, veio a ser a herança maldita de todos nós pertencentes a raça humana (Rm 5.12-21). Todos os que foram nascidos em Adão são pecadores e por seu intermédio herda a corrupção dele oriunda, em consequência herdam a morte física e a morte espiritual.

Ao pecar o homem Adão tornou a humanidade e toda a criação corrupta.  Corrompidas humanidade e criação é necessário restauração. Pecando o homem perverteu por completo a natureza humana, bem como todo o Universo. Ao perverter-se o homem viu seu coração destituir-se do amor de Deus e sua consciência e espírito serem corrompidos.

O pecado de Adão é a árvore que produz muitos frutos que podem ser considerados hereditariamente, ambientalmente e circunstancialmente, bem como pelas possibilidades de nossas quedas em tentação quando temos uma disposição mental e espiritual enfraquecida.

Logicamente, como todos pecamos em Adão iniciamos nossas vidas com a necessidade de um elo que faça a religação entre nós e o nosso Deus. O que é religião, senão a necessidade de uma religação da humanidade com Deus? Como então faremos esta religação?

Deus, nosso Pai de amor, preparou um Salvador capaz de fazer novamente a religação a Ele. Enquanto o pecado de Adão trouxe para nós a morte, a morte de Jesus Cristo nos trouxe a vida. O que a humanidade fez para merecer tal ato de amor?

Nada.

É como a Palavra de Deus nos diz que o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna. Que vamos fazer?

Aceitar Jesus Cristo, como nosso único e suficiente Salvador na certeza de que seu sacrifício nos livrou do pecado e da morte. Além disso, vamos nos esforçar para impedir que em nós a árvore do pecado cresça, dê e aumente seus frutos com a ajuda de Deus.

Com carinho.

Rev. Pedro Neves
Rev. Pedro Neves

O Evangelho da Esposa de Jesus

“As tuas palavras são em tudo verdade desde o princípio, e cada um dos teus justos juízos dura para sempre.”
Sl 119.160

O EVANGELHO DA ESPOSA DE JESUS

Vez por outra nos deparamos com uma notícia no rádio ou na televisão, ou com um artigo numa revista, num jornal e na internet que nos surpreende. Eles reacendem antigas discussões sobre determinados temas cristãos, por vezes debatidos sem qualquer resultado prático e útil, ou até em alguns casos que permitem depois muitas reflexões e pensares, mudarmos de opinião sobre assuntos até então pacificados e porque não dizer calcificados entre nós.

Não dar importância a algo que mobiliza o mundo é tratar as coisas com o complexo de avestruz que ao ver o perigo envia sua cabeça na areia com o propósito de evitá-lo. No entanto, dar importância excessiva é não ter confiança e estabilidade naquilo que ao longo dos tempos se aprendeu e se teve como guia na vida, a Palavra de Deus.

Notícias como a publicada na Veja online sobre um fragmento de papiro de 8 centímetros, escrito no antigo idioma Copta, datado do século IV, onde se lê: “Jesus disse a eles: minha esposa …” se referindo a  uma mulher que seria a esposa de Jesus não deve ser tomado pelo que ele não é, mas sim pelo que é.

 

De acordo com a entrevista dada pela Doutora, Karen King, professora da Escola  de Divindade de Harvard, podemos afirmar o que este pequeno manuscrito não é?

1-    a prova que Jesus tinha uma esposa;

2-    um evangelho, pois o título “The gospel of Jesus´s wife” não foi atribuído pelo autor, mas sim pela própria historiadora a um texto de apenas oito linhas;

3-    a afirmativa de que Jesus tinha uma esposa, mas que há uma linha no texto em que se pode traduzir por: “Jesus disse a eles: minha mulher …”

4-    uma declaração que essas palavras podem significar algo diferente do que elas realmente dizem;

5-    uma afirmativa de Jesus ao se referir “Ela estará preparada para ser minha discípula” afirmava que ele estaria se referindo àquela que seria sua esposa ou outra mulher;

6-    um crédito de que a mulher referida no texto seria Maria Madalena, a pretensa esposa de Jesus segundo outros autores não bíblicos;

7-    um crédito para o único documento verídico conhecido em que Jesus e Maria Madalena são mencionados como marido e mulher;

8-    a única informação antiga e confiável sobre o Jesus Histórico que não se cala a esse respeito; e

9-    motivo de confiança, pois a própria historiadora a princípio desconfiou da autenticidade do documento.

O que o manuscrito realmente é?

1-    Um pequeno pedaço de papiro contendo um texto em Copta que até o momento só passou por testes empíricos, e sobre o qual ainda não foi realizado um teste com carbono-14 na tinta do fragmento, o que permitiria estimar com precisão o quão antigo é o documento, mas que segundo Karen King, poderia danificar o material.

2-    Um pequeno manuscrito que será testado quanto a sua idade por uma técnica conhecida por espectroscopia.

3-    Um manuscrito que deve ser comparado a inumeráveis outros num teste de concordância de escritos.

Portanto, amados como reagir a uma notícia destas? Esperando com a certeza de que Jesus não pecou, antes se fez pecado por nós. Esperando, sabendo que Jesus carregando em si nossos pecados fez um perfeito sacrifício de substituição de cada um de nós. Esperando no Messias que sem culpa que corrobora com Espírito Santo no concurso de nos convencer do pecado, da justiça e do juízo.

Amados, lembremo-nos de que a Palavra de Deus é em tudo verdade desde o princípio. Creiamos nela e não nos deixemos levar por qualquer vento que possa atrapalhar nossa caminhada para o céu.

Com carinho,
Rev. Pedro Neves

Brasil: O País da Cachaça!

Jesus respondeu:  — “Ame o Senhor, seu Deus, com todo o coração, com toda a alma e com toda a mente.
Este é o maior mandamento e o mais importante. E o segundo mais importante é parecido com o primeiro: Ame os outros como você ama a você mesmo.”
(Mt 22.37- 39)

 BRASIL: “O PAÍS DA CACHAÇA.”

Surpreendemo-nos tempos atrás com o texto de uma revista de grande circulação que dizia: “O governo e os produtores de cachaça já encomendaram uma pesquisa, a um instituto inglês, acerca da receptividade à bebida na Europa. Também pediram o reconhecimento internacional de que a cachaça é produto brasileiro, e de ninguém mais. E espalharão a receita da caipirinha aos quatro ventos.” O articulista da revista comentou ainda que se a caipirinha virar moda, o Brasil poderá acelerar as exportações e tornar-se conhecido como o país não só do futebol como também da cachaça.

 Este “maravilhoso” título viria realmente a calhar, pois se juntaria a outros que já temos tão “nobres” quanto o de País da Cachaça. Por exemplo: Brasil – País da Prostituição de Menores; Brasil – País do Carnaval; Brasil – País dos Sequestros Relâmpagos; Brasil – País dos Corruptos; Brasil – País da Impunidade; Brasil – País dos Menores Abandonados; Brasil – País das Chacinas; Brasil – País dos Assaltos; e Brasil – País do Mensalão, entre outros.

 Nosso belo país não merece nenhum dos títulos acima e muito menos o de País da Cachaça. Entretanto, a justificativa do esforço governamental em utilizar a máquina administrativa para a divulgação da caipirinha é a necessidade de gerar receitas para cumprir os compromissos financeiros internacionais assumidos com o Fundo Monetário Internacional. Outra justificativa seria que quanto mais exportarmos mais empregos geramos, além de mantermos os existentes, beneficiando os brasileiros. Em consequência diminuiremos a miséria que alastra por nosso imenso país.

 Verdadeiramente a geração de emprego com as exportações permitirá melhorar a vida de nossos concidadãos, e podemos considerá-la uma beneficência própria extraordinária, pois contribuirá para diminuir a fome de muitos brasileiros, tirá-los das ruas e dar-lhes uma vida digna. Mas, gerar empregos exportando cachaça também seria?

 Será que todo amor é próprio? Não entendemos assim. Salvar vidas representa uma beneficência própria, necessária e útil, mas o recurso oriundo do tráfico de drogas deveria ser utilizado para construir hospitais? A educação é uma beneficência própria, mas a obtenção de recursos oriundos dos sequestros relâmpagos deveria ser utilizada para a construção de escolas? Livrar um indivíduo de dores insuportáveis é uma beneficência própria, mas através da Eutanásia também seria?

 Parece-nos que estamos perdendo um pouco a noção. Nem tudo que parece ser próprio o é efetivamente. Travestido de bom, de caridoso, de amoroso, de beneficente estamos engolindo uma série de manifestações de amor, impróprias. Infelizmente o que importa para a sociedade atual é o agora, o hoje e o ter. As consequências desse absurdo desejo de ter não são pensadas. Hoje se recorre a quaisquer expedientes para ter, inclusive incentivar o consumo de cachaça.

 Enquanto os produtores de cachaça parecem cada vez mais nobres, elegantes e ricos, muitos consumidores de cachaça estão caindo pelas ruas, bêbados, trocando as pernas e sendo motivo de zombarias, quando não de agressões. Seria esta a imagem e semelhança que Deus propôs para o homem? Gn 1.26

A cachaça torna seu consumidor valente, ele perde o medo. Briga nas ruas, nos bares, nas rodas de alta e baixa sociedade. A cachaça e sua indução à valentia são causa de muitas mortes. Ela é também a causa de doenças e acidentes que levam à morte. Ela leva muitos lares à destruição, famílias inteiras ao desespero e lágrimas pelo o pai que não volta para casa. Ela acaba com bons empregos e bons empregados. Ela alimenta o aumento de uma multidão de crianças com fome. Quanta miséria a cachaça pode trazer.

 No campo espiritual a bebida alcoólica traz uma série de problemas. Todos sabemos que a bebida forte é alvoroçadora (Pv 20.1) e que ela tira de nós a inibição e muitas vezes a vergonha. A embriaguez é pecado condenado pelas escrituras. O texto bíblico diz: “…não vos enganeis: nem impuros, … nem ladrões, nem avarentos, nem bêbados, nem maldizentes, herdarão o reino dos céus(1 Co 6.9-10); e “Ora, as obras da carne são: prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções, invejas, bebedices, glutonarias, e cousas semelhantes a esta, a respeito das quais eu vos declaro, como já outrora preveni, que não herdarão o reino dos céus(Gl 5.19-21).

Devemos contribuir para que as pessoas se destruam, destruam suas famílias, percam seus empregos, matem, morram, pequem e percam as suas vidas eternas? Vender cachaça para aumentar o emprego é uma tremenda impropriedade, é cultivar um amor impróprio que todos conhecemos os seus efeitos sobre o ser humano.

Caros amigos lembrem-se das palavras de Isaías: “À lei e ao testemunho! Se eles não falarem desta maneira, jamais verão a alva(Isaías 8.20). Identificada uma impropriedade devemos como profetas verdadeiros de Deus alertar sobre o erro que se está cometendo. Para fazermos uma caridade nem sempre vale tudo. Os fins, caros amigos, nem sempre justificam os meios. Existem certos tipos de uso do amor que são impróprios. Estes não devemos aprovar, mas denunciá-los.

Como podemos manifestar amor a Deus de todo coração e entendimento se estivermos embriagados? Como podemos demonstrar nosso amor ao próximo se estivermos bêbados?

Queridos, temos noção. Portanto, não vamos compactuar com aquilo que pode trazer miséria e infelicidade para as nossas famílias, a dos outros, nossa igreja e sociedade, ainda que travestidos de amor.

Com carinho,
Rev. Pedro Neves

Dízimos

Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho e tendes negligenciado os preceitos mais importantes da Lei: a justiça, a e a fé; devíeis, porém, fazer estas coisas, sem omitir aquelas.
(Mt 23.23)

DÍZIMOS

Rev. Hernandes Dias Lopes

O dízimo é um tema polêmico. Alguns crentes sinceros questionam sua prática. Outros não estão convencidos de que o Novo Testamento trate dessa matéria com clareza. Há aqueles que preferem dar ocasionalmente uma oferta, buscando com isso substituir a prática do dízimo.

Alguns outros, seja por amor ao dinheiro ou dificuldades financeiras não conseguem entregar as primícias da sua renda para Deus. Há ainda aqueles que se dizem dizimistas, mas não são regulares na devolução. Ainda outros se sentem no direito de administrar o próprio dízimo, entregando-o aonde bem entendem. E finalmente, há aqueles que entregam parte do dízimo como se estivessem entregando-o integralmente. O que a Palavra de Deus tem a nos ensinar sobre esse
tão importante assunto?

Em primeiro lugar, o ensino sobre o dízimo está presente em toda a Escritura. O dízimo está presente antes da Lei, na Lei, nos livros Históricos, nos livros Poéticos, nos livros Proféticos, bem como nos Evangelhos e também nas Cartas gerais. A prática do dízimo fez parte do sacerdócio levítico, do sacerdócio de Melquisedeque e também do sacerdócio de Cristo, pois é ele quem recebe os dízimos (Hb 7.8). Nós podemos até discordar da prática do dízimo, mas não podemos negar que seu ensino seja claro em toda a Bíblia.

Em segundo lugar, a retenção do dízimo é um sinal de decadência espiritual. Estude atentamente a Escritura e você verá que sempre que o povo de Deus estava vivendo um tempo de esfriamento espiritual, a primeira coisa que ele deixava de fazer era entregar o dízimo com fidelidade. Por outro lado, sempre que o povo se voltava para Deus em arrependimento, a prática do dízimo era restabelecida. O dízimo era uma espécie de termômetro espiritual do povo de Deus.

Em terceiro lugar, a devolução do dízimo é um ato de obediência a Deus. Os
mandamentos de Deus nos são dados para serem cumpridos. Deus nunca nos dá uma ordem sem nos dar poder para cumpri-la. Há alegria e recompensa na obediência, muito embora, nossa motivação em devolver os dízimos não é alcançar os favores de Deus, mas glorificá-lo. Quando um servo de Deus o honra com as primícias de toda a sua renda, Deus promete encher os seus celeiros e fartar de vinho os seus lagares. Quando um servo de Deus traz todos os dízimos à Casa do Tesouro Deus promete repreender o devorador e abrir as janelas do céu.

Em quarto lugar, a devolução do dízimo é um passo de fé. Antes de Deus ordenar o seu povo a trazer o dízimo, ordenou-o a trazer o coração (Ml 3.6-10). Os fariseus traziam o dízimo, mas não o coração, e Jesus os chamou de hipócritas (Mt 23.23). Quando o coração se volta para Deus, o bolso também se abre. Deus nos mandou fazer prova dele. Nossa confiança precisa estar no provedor mais do que na provisão. O dizimista sabe que noventa por cento com a bênção de Deus vale mais do que cem por cento sob sua maldição.

Em quinto lugar, o dízimo é o recurso de Deus para o sustento da sua obra. O dízimo não é nosso, é de Deus. Ele é santo ao Senhor. O dízimo não é da igreja, é o Senhor Jesus quem o recebe (Hb 7.8). O dízimo é primícia e não sobra.

É dívida e não oferta. É ordem divina e não opção nossa. Reter o dízimo é desamparar a Casa de Deus. Porém, trazer todos os dízimos à Casa do Tesouro é ser cooperador com Deus no sustento da sua obra, na expansão do seu Reino e na proclamação do evangelho até aos confins da terra. Conclamo você a examinar seu coração e a acertar essa área vital da sua vida com Deus.

Não adie mais essa atitude de ser um dizimista fiel e honrar o Senhor com as primícias de toda a sua renda.

Este é o terceiro ano que temos a oportunidade de nos dirigir aos nossos paroquianos com um propósito específico: tratar dos dízimos e ofertas devidos por todos nós para a manutenção da igreja do Senhor Jesus.

Como diz o amado Pastor Presbiteriano Hernandez Dias Lopes, conferencista de renome internacional, pregador abençoado, e autor do texto em apreço devemos honrar ao senhor com as primícias de nossas rendas.

Que tal cumprirmos as palavras bíblicas do ofertório que repetimos pelo menos 54 vezes ao longo deste ano, a cada culto que participamos: tudo vem de ti senhor e do que é teu to damos.

Contribuamos com os nossos dízimos e ofertas para que haja uma igreja para nos reunirmos.

Com carinho,
Rev. Pedro Neves

O Importante é SER ou TER?

“Mas Deus lhe disse: Louco, esta noite te pedirão a tua alma; o que tens preparado para quem será?”
(Lc 12.20)

O IMPORTANTE É SER OU TER?

Meditando sobre o assunto, concluímos como vivemos num ambiente extremamente materialista, num mundo em que nada é de graça. No dizer do mundo, “não há almoço gratuito”. Nossa preocupação é sempre quanto vamos poder ganhar com aquilo que estamos fazendo. Parece ser quase impossível exercemos uma atividade qualquer por puro altruísmo. Tudo o que fazemos traz no seu âmago o desejo de obtermos algum lucro. A sociedade atual só valoriza quem tem. Achamos que é preciso Ter.

O Ter tornou-se a única razão do Ser, ser. O Ter nos escraviza. O Ter suga nossas almas. O Ter nos leva às clínicas psiquiátricas. O Ter nos leva às dívidas, aos agiotas e ao desespero. O Ter nos corrói internamente.

Ter nos impede de parar para ouvir entes queridos. O Ter não nos deixa ver o sorriso inocente, confiante e puro de uma criança. O Ter nos impede de descansar, ler um livro, chorar, rir, ir à casa de um amigo e visitar um ascendente internado num hospital. O Ter faz definhar as nossas vidas.O Ter nos nos modifica e nos leva a esquecer princípios elementares de convivência. O Ter nos impede de atender um ferido na rua, de ver à nossa volta pessoas morrendo, de ajudar pessoas tristes, de apoiar amigos angustiados e que estão prestes a explodir. A filosofia do TER nos leva a crer que devem sobreviver apenas os fortes e os demais não importam.

Não conseguimos ver as outras pessoas como um ser igual a nós. Um ser que sente tristeza, vergonha, desejo, apreensão, medo, angústia, aflição, enfim as emoções que todos SERES têm.

O outro é tratado apenas como um concorrente, um competidor a ser derrotado, um adversário a ser vencido e se possível destruído.

Os excluídos não contam. Eles apenas nos incomodam. Com sua penúria nos obrigam a pagar mais impostos. Parece que viemos a esta terra para vencer a qualquer custo. Ninguém quer perder. O importante é vencer. O preço da vitória não importa. O Ter nos obriga a sermos vitoriosos.

Que sensibilidade a de Jesus. Que diferença entre o nosso viver e os ensinamentos de Cristo. Quão difícil é entendermos os ensinamentos do divino mestre. Para Jesus nada tem maior valor que a vida que nos foi dada. Sobre o ajuntar tesouros na terra, Jesus afirma e pergunta a um homem rico: “Louco, esta noite te pedirão a tua alma; o que tens preparado para quem será?” Ou ainda, “não acumuleis para vós outros tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde os ladrões escavam e roubam, mas ajuntai tesouros para vós outros no céu, onde nem a traça e nem a ferrugem corroem e onde os ladrões não escavam, nem roubam, porque onde está o teu tesouro aí está o teu coração” (Mt 6.19-21).

A preocupação de Jesus é a vida. Não importa se o ser humano é rico ou pobre, pecador ou justo, ignorante ou sábio. Para Jesus importa o homem e não o estado em que ele se encontra. Do jeito que o homem estiver Jesus se dispõe a ajudá-lo. Sobre a sensibilidade de Jesus com relação ao homem, o profeta Isaías nos diz que ele “não esmagaria a cana quebrada, e nem apagaria a torcida que fumega” (Is 42.3), ou seja, por mais arrebentados emocionalmente que estejamos, por mais errados que formos, por mais sem esperanças que vivamos, Jesus está sempre disposto a nos perdoar e nos acolher.

Procuremos seguir os ensinamentos de Jesus porque sobre a ânsia pelo TER o Salvador diz: “a vida é mais que o alimento e o corpo mais que as vestes” (Lc12. 23). Se quisermos ser felizes é preciso buscar muito mais o Ser do que o Ter.

Meus amados, não nos esqueçamos que viver só para TER nos faz perder a sensibilidade da vida.

Com carinho,
Rev. Pedro Neves

Nuvens Negras

“Deus é o nosso refúgio e a nossa força, socorro que não falta em tempos de aflição”.
(Sl 46.1)

 NUVENS NEGRAS

Um dia destes estávamos caminhando à tardinha na praia e observamos que, no horizonte, um forte clarão iluminava o céu. Refletimos; Como Deus é maravilhoso, fazer um astro só para iluminar a Terra. Quão bela é uma noite enluarada. Quão extraordinário é estarmos num local ermo, onde a luz artificial produzida pelo homem não se faz presente e olharmos o céu em dia sem nuvens e vermos uma grande lua cheia aparecer no firmamento sem fim.

Junto com a lua, numerosas estrelas parecem querer se desprender do firmamento e a qualquer instante vir até nós. A beleza da noite é tão expressiva que imaginamos que cada estrela, cada lua, cada satélite, cada astro que Deus criou querem conversar conosco. Como se diz “dar um dedinho de prosa”. Aquela prosa gostosa que nos acalma e nos dá tranquilidade. Numa noite desta, tão linda, imaginamos até que as estrelas estão cantando para nós.

Naquele dia ficamos imaginando se seria uma lua Cheia ou uma Nova para dar tal clarão. Se fosse uma lua cheia ela apareceria com sua luz amarelada, se uma nova ela viria com uma luz bem branquinha, bem límpida. Preferimos que fosse uma Nova. De repente toda a iluminação cessou. Negras nuvens encobriram aquela luz que tanta alegria nos trouxera. Nenhuma réstia de luz sob o mar negro e amedrontador. O mar antes tão agradável tornou-se escuro e fantasmagórico.

Continuamos a caminhar e de vez em quando olhávamos para o horizonte esperando que algo mudasse naquela situação. De repente uma meia lua aparece entre as nuvens sobre o mar. Uma luz muito forte iluminou aquele aguaceiro. Um caminho prateado nasceu sobre aquela imensidão negra de água. Aquela faixa estreita de reflexão de luz no mar, bem brilhante, vinha do horizonte até onde estávamos. Durante alguns minutos houve uma batalha no céu entre as nuvens negras e a lua com sua preciosa luz. Por alguns instantes a lua sumia, venciam as nuvens com sua escuridão, por instantes vencia a luz da lua com seu brilho vigoroso. Venceu a luz.

A luz se impôs sobre as trevas e descansamos. No caminho de volta para casa passamos a meditar naquele episódio. Passamos por muitas dificuldades na vida. Muitas vezes somos ludibriados, somos escarnecidos, somos humilhados e somos colocados de lado. Os lugares que frequentamos parece não comportar mais a gente, parece não querer mais a gente.

Gritamos, clamamos, choramos e ninguém percebe. Dizemos: estamos aqui, prestem atenção a nós, pois existimos e queremos ser percebidos por vocês, mas estão nos colocando para fora, da igreja, do colégio, da faculdade, de casa, do trabalho, enfim para fora dos lugares que amamos, distante das pessoas que nos amam. Às vezes o que vemos são apenas nuvens negras, nuvens grandes, cumulus nimbus, que querem fazer desaparecer a nossa luz que já está bem fraquinha.

Quando nuvens tempestuosas levantam-se sobre nós com toda a sua força e seu poder, precisamos de Jesus para nos proteger. A Bíblia Sagrada diz que Ele não apaga o pavio que fumega, ou seja, Jesus não apaga a luz que está fraca (Isaías 42.3). Ao contrário Jesus nos dá força, ânimo e nos coloca em lugares altos para sermos vistos por todos.

Creiamos, ainda que pessoas queiram apagar nossa luz como as nuvens tentaram fazer com a luz da lua, elas não conseguirão, pois a nossa luz é a Luz do mundo, Jesus.

“Quando atravessarmos águas profundas, Deus estará do nosso lado, e nós não nos afogaremos. Quando passarmos pelo meio do fogo as chamas não nos queimarão. Pois, o Senhor, nosso Deus, o Santo de Israel, é nosso Salvador.” (Isaías 43. 2-3).

Queridos “quando nuvens negras vierem nos encobrir, o Santo de Israel nos protegerá com as suas asas e debaixo delas nós estaremos seguros” (Salmos 91.4). Confiemos, pois, em nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo em quaisquer circunstâncias e adversidades. A Luz do mundo está conosco e dentro de nós. Nuvens negras nada são, pois contamos com o auxílio de nosso meigo Jesus, aquele que deu a sua vida por nós, e por meio do qual nós somos mais que vencedores por aquele que nos amou.

Nuvens vêm, nuvens vão, mas se olharmos para o Senhor Jesus estaremos sempre na luz.

Portanto, não devemos temer quando nuvens negras se abaterem sobre nós.

Com carinho,
Rev. Pedro Neves